O PERÍODO ENTREGUERRAS:
1- EUA: primeira potência
Quando a Primeira Guerra terminou (1918), os EUA eram, disparados, o país mais rico do planeta. Eram os maiores produtores de automóveis, de aço, comida enlatada, panelas, fogões, discos, rádios, petróleo, carvão, tecidos, brinquedos e quase tudo o que se possa imaginar.
Foi uma época de euforia para os empresários, pois os lucros não paravam de crescer. Nesse período todo o planeta inveja o “modo de vida americano” (“american way of life”), quando parecia que a prosperidade vivida por aquela sociedade seria eterna.
2- Os loucos anos 20:
Para começar, fazer compras virou a diversão dos adultos. A indústria não parava de inventar novos bens de consumo.
O capitalismo transforma tudo em mercadoria, em negócio, em fonte de lucros. Assim, a diversão tornou-se uma indústria. E a grande indústria de diversão de massa foi o cinema.
Nos anos 20, a classe média ouvia rádio e discos, bebia um bocado, jogava nos cassinos, comprava sem parar, ia ao cinema. Como se fosse uma festa sem fim.
Ao lado desse consumo, o governo lançou uma campanha de moralização da sociedade. Em 1920, foi promulgada a Lei Seca, que proibia a produção e o consumo de bebidas alcoólicas, sob a alegação de preservar a sociedade norte-americana dos malefícios da bebida. Essa lei jamais foi cumprida. Nunca se bebeu tanto no país!
3- A bolsa ou a vida:
Quase todas as empresas capitalistas têm vários sócios. Cada sócio possui uma quantidade de ações.
As ações são negociadas na bolsa de valores, que é uma instituição típica do sistema capitalista. A primeira do Brasil foi a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, fundada em 1876.
Quando uma empresa é lucrativa, o valor de suas ações aumentava.
Nos EUA dos anos 20, as ações se valorizavam por causa da euforia econômica. Mas, quando apareceram as primeiras notícias de falência de empresas, todos os investidores se apavoraram e trataram de vender as ações- o que fez com que os preços fossem caindo sem parar. Até acontecer a quebra da bolsa.
4- A crise de 1929:
Os acontecimentos de 1929 foram definidos como uma superprodução. Outros sintomas da crise foi o desemprego, falta de opções para a aplicação de capitais, queda dos lucros, retração geral da produção industrial e paralisação do comércio.
De repente, o valor das ações na Bolsa de valores de Nova York, começou a despencar. Muitas empresas norte-americanas haviam crescido graças aos investimentos captados na bolsa. Quando uma empresa precisa de capital para expandir seus empreendimentos, colocava à venda suas ações que garantiam aos seus compradores nos EUA, para venderem suas ações e evitar prejuízos.
No final de outubro de 1929 a Bolsa de Nova York não suportou a pressão palas vendas e quebrou. Bilhões de dólares investidos no mercado de ações desapareceram de um dia para o outro. Muitas empresas e bancos faliram.
A crise se espalhou por quase todo o mundo, exceto na Rússia, que vinha desenvolvendo sua economia sem muita dependência externa.
A crise iniciada em 1229 começou a ser combatida em 1933, quando Franklin Delano Roosevelt foi eleito presidente dos EUA. Roosevelt propunha o abandono do velho liberalismo econômico. Em vez da cartilha do liberalismo econômico de Adam Smith, o novo presidente seguia as teorias do economista inglês John Maynard Keynes.
A receita keynesiana era botar o Estado intervindo na economia. Esse plano econômico denominado New Deal, entendia que o Estado deveria fornecer os meios para que as pessoas voltassem a consumir, reaquecendo a economia. Dessa forma, o salário-desemprego e a formação de frentes de trabalho subvencionadas pelo governo deixaram de ser consideradas gastos e passaram a ser entendidos como investimentos.
As medidas adotadas pelo New Deal:
- Criação do salário-desemprego;
- Criação de um vasto programa de obras públicas e atividades que geravam emprego;
- Aumento dos salários dos trabalhadores de baixa renda;
- Controle dos preços dos produtos de primeira necessidade;
- Empréstimos estatais aos produtores agrícolas arruinados.
As crises econômicas estimularam o crescimento dos partidos de esquerda na Europa. Apavorada, a burguesia apoiou os partidos fascistas, que propunham a instalação de uma ditadura. Parte da classe trabalhadora e a classe média, esmagadas pela crise econômica e política, também acreditaram que só um regime autoritário traria “ordem e tranqüilidade”. Apoiados nessas classes, desrespeitando as leis democráticas, os fascistas deram golpes de Estado e impuseram ditaduras. Os principais chefes fascistas foram Mussolini, na Itália, e Hitler, na Alemanha.
Principais idéias fascistas:
- Valorização do Estado: nada existe acima do Estado e o destino de uma nação está em suas mãos (o indivíduo deve obedecer o Estado sem contestar);
- Obediência cega ao líder;
- Supervalorização da nação: nacionalismo exagerado-odeia tudo que é estrangeiro;
- Anticomunismo; comunistas e fascistas se odeiam. Os fascistas não suportam a igualdade social.;
- Antiliberalismo: os fascistas defendem um regime ditatorial;
- Militarismo e culto à violência: a guerra é glorificada por ser a atividade mais nobre do homem;
- Racismo: idéias preconceituosas do tipo “a raça branca deve dominar o mundo”;
- Irracionalismo: os fascistas acreditavam que o racionalismo é limitado. A verdade é aquilo que o mais forte consegue impor.
7- O fascismo italiano:
Após a Primeira Guerra, a Itália viveu uma crise violenta. Os operários, estimulados pelos comunistas, faziam greves e manifestações públicas contra o Estado, que era uma monarquia parlamentar e a favor da revolução popular.
Foi então que surgiu o Partido Fascista, Fundado em 1919 por Benito Mussolini. No início reuniu bandos de ex-soldados, neuróticos de guerra, desempregados, vagabundos e policiais. Com o passar do tempo, ganhou a simpatia da burguesia italiana, constituindo um partido político com idéias e projetos próprios.
Em 1922, milhares de militantes fascistas, vestidos de camisas negras executaram a Marcha sobre Roma. Ocuparam as ruas da capital, reprimindo a população e exigindo a renúncia do rei Vitor Emanuel III e a nomeação de Mussolini para primeiro-ministro. Pressionado pela burguesia, o rei cedeu e Mussolini se instalou no poder e implantou a ditadura. Somente o partido fascista estava autorizado a existir na Itália.
O governo fascista tratou de recuperar a economia incentivando a produção agrícola e industrial. Em 1929, ganhou o apoio da Igreja Católica ao assinar o Tratado de Latrão, que reconhecia a soberania do Estado Católico do Vaticano e em troca o papa reconheceu o Estado italiano. Pra superar os prejuízos da crise de 1929, incentivou a indústria bélica. A Itália já se preparava para a Segunda Guerra Mundial.
8- O fascismo alemão: O nazismo:
Na Alemanha, o movimento fascista foi chamado de nazista, que é uma abreviatura de nacional-socialista. Claro que para eles não tinham nada de socialistas, pois abominavam a igualdade e a democracia.
Com o fim da Primeira Guerra, em 1918, a Alemanha passou a ter um regime democrático. Esse período de liberdade política foi chamado de República de Weimar e durou até 1933, quando os nazistas tomaram o poder. Todos os partidos políticos tinham deputados no Parlamento, inclusive comunistas e nazistas.
Foi uma época de grandes dificuldades para a Alemanha: tinha que pagar imensas dívidas aos ingleses e franceses, entrou em um processo inflacionário que inviabilizou sua vida econômica, empobrecimento das classes médias, desemprego, etc..
Em 1923, os nazistas, chefiados por Adolf Hitler, tentaram, sem sucesso, tomar o poder.
Depois da crise de 1929, os nazistas elegeram inúmeros deputados, tornando-se maioria. Em 1933, Hitler foi nomeado para o cargo de Chanceler (chefia do governo). Hitler organizou vários golpes para permitir sua total liberdade de ação como ditador.
Pra recuperar o emprego e ativar a economia, estimulou a produção de armas, mas a Guerra seria apenas uma questão de tempo.
9- A Guerra Civil Espanhola (1936-1939):
Na Espanha, políticas antifascistas uniram-se para concorrerem às eleições parlamentares. A Frente popular assumiu o governo e os fascistas, comandados por Francisco Franco, tentaram um golpe de Estado, sem sucesso. Começou a Guerra Civil Espanhola. As Forças Armadas republicanas contavam com comunistas, stalinistas e trotskistas, social-democrátas e anarquistas.
Batalhões de voluntários do mundo inteiro foram à Espanha, formavam as Brigadas Internacionais. Mas, Franco estava apoiado pelos latifundiários, burgueses, parte da classe média e pela Igreja Católica. O resultado foi a vitória dos fascistas espanhóis em 1939. Os fascistas, vitoriosos, acreditavam serem invencíveis. Logo depois começou a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A América Latina na segunda metade do século XX
1- A América Latina no contexto da Guerra Fria:
- Interesse dos EUA em isolar a América Latina da influência socialista (criação da Organização dos Estados Americanos- OEA, em 1948, instrumento de ação anticomunista).
- Soviéticos auxiliavam a formação de grupos que tinham de promover revoluções socialistas na América Latina.
- Os povos latino- americanos além dos problemas internos (pobreza, injustiça social,etc.) viviam as tensões decorrentes da Guerra Fria.
2- O Populismo:
- Forma de governo que atendia os interesses econômicos dos grupos dominantes e que parecia atender aos anseios populares.
- Características:
· Presença de um Estado controlador das tensões sociais (como árbitro dos conflitos de classes, o Estado tenta anular as lutas sociais, favorecendo o grupo dominante, pois sem embate social, as classes menos favorecidas dificilmente conseguem mudar sua condição de vida).
· O Estado assume a vontade popular ( usando um discurso paternalista, de forte caráter autoritário, o governo populista manipula as aspirações populares).
· Culto à personalidade (o governante encarna o Estado, adotando uma postura paternalista- Brasil- Getúlio Vargas era o Estado; na Argentina- Eva Perón “mãe dos descamisados” e seu marido Juan Perón governava).
· Controle sobre a classe trabalhadora (sindicatos controlados pelo Estado- sindicatos amarelos).
· Nacionalismo (os populistas defendiam a nacionalização de certos setores produtivos, como combustíveis ou a siderurgia).
٭ Os dois partidos populistas mais expressivos foram Vargas (Brasil- 1951-1954) e Juan Domingo Perón (Argentina- 1946-1954 e 1973-1974).
3- Revolução Cubana (1959):
- Período de sucessivas revoltas e formação de grupos revolucionários que queriam mudar o governo e expulsar os exploradores externos (desde 1920 até 1959).
- Ditadura do General Gerardo Machado (1925-1933): cresceram as ações populares, as greves e os grupos de esquerda, que destituíram o governo e se formou um novo governo Fulgêncio Batista
- O movimento popular de resistência a ditadura cresceu na década de 1950 com três líderes importantes: Fidel Castro, Camilo Cienfuegos e Ernesto Guevara. Os três lutaram para derrubar Fulgêncio.
- A luta armada foi de 1953 até 1959 e contou com o apoio da população local (camponeses).
- Em 31 de dezembro de 1958 Fulgêncio renunciou e Cuba passou por um período de reorganização do Estado: criação de frentes de trabalho para trabalhadores desempregados, aumento dos salários, diminuição dos aluguéis e dos serviços básicos, como a energia elétrica.
- A situação se complicou ainda mais em 1959 com a reforma agrária, o que afetava o patrimônio das elites cubanas e norte-americanas.
- Os EUA reagiram suspendendo a importação do açúcar cubano, produto que sustentava a economia nacional. Isso tudo aconteceu em plena Guerra Fria e logo os soviéticos ofereceram seu mercado ao açúcar cubano.
- Os EUA não aceitaram a influência da URSS em um país tão próximo ao seu território e rompeu relações diplomáticas com Cuba. Em abril de 1961, soldados norte-americanos invadiram a ilha com o objetivo de derrubar Fidel, mas a população colocou-se a favor do governo cubano e a tentativa dos EUA foi fracassada.
- Cuba declarou-se socialista, o governo dos EUA foi desmoralizado e esse fracasso resultou na consolidação da Revolução Cubana e do prestígio de Fidel como governante de Cuba.
- Em 1962 os EUA decretaram um bloqueio econômico ao governo de Fidel. A política externa da América Latina começou a mudar.
4- Governos Militares:
- Entre 1964 e 1970 a América Latina passou por mudanças na estrutura política.
- Golpes militares a partir de 1964:
· 1964: no Brasil, militares depõem João Goulart
· 1968: no Peru, os militares tomam o poder; na Bolívia, o General Juan Torres assume o governo; no Panamá, o governo é ocupado pelo General Omar Herrera Torrijos
· 1973: no Chile, o General Augusto Pinochet lidera um golpe contra o governo legitimamente eleito
· 1976: no Uruguai, militares depõem o presidente Juan Maria Bordaberry, que desde 1973 mantinha um regime ditatorial no país; na Argentina, o General Rafael Videla lidera a junta militar que depõe a presidente Isabelita Perón.
